RSS

Minhas razões

Tomei conhecimento da existência da Abordagem Integral proposta pelo filósofo Ken Wilber, durante um Curso de Coaching Integral do qual tive a oportunidade de participar em 2005, e que foi ministrado pelo Coach britânico Martin Shervington. Em seguida, à medida que comecei a aprofundar minhas pesquisas sobre o tema, por meio da leitura de diversos livros e artigos, além da participação em outros cursos e palestras, percebi claramente que tinha encontrado algo extremamente valioso, que fazia sentido pra mim e que, pela primeira vez em muito tempo, permitia acomodar em uma estrutura conceitual lógica e elegante diversas informações, visões e disciplinas antes aparentemente desconectadas, quando não claramente conflitantes.

Uma “Visão Integral” procura levar em conta a matéria, o corpo, a mente, a alma e o espírito assim como aparecem no ser, na cultura e na natureza. Ao invés da realidade do “Cosmos”, com apenas a dimensão física, trata-se da realidade do “Kosmos” com as dimensões física, emocional, mental e espiritual, todas juntas. Uma verdadeira “Teoria de Tudo”. E “Uma Teoria de Tudo” é o título deliberadamente provocativo do primeiro livro de Ken Wilber a que tive acesso, do qual já fiz diversas leituras completas e o mantenho sempre ao alcance da mão para consultas eventuais. Dessa referência tirei algumas citações reproduzidas neste post. É uma visão que procura ser ao mesmo tempo abrangente, equilibrada e completa. Na encruzilhada em que a humanidade se encontra, segundo Wilber, ou continuamos na rota do materialismo científico, do pluralismo fragmentário e do pós-modernismo desconstrucionista, ou podemos escolher uma vereda mais integral, mais abrangente e mais inclusiva.

O Modelo Integral propõe uma nova maneira para organizar o mundo e suas atividades em cinco categorias simples que são, ao mesmo tempo, aspectos de nossa própria experiência: os Quadrantes, os Níveis, as Linhas, os Estados e os Tipos. E abordamos um assunto de maneira integral apenas quando levamos em conta esses cinco aspectos de nossa experiência subjetiva. Podemos perceber então como qualquer evento Físico – Matéria/Energia – ISTO (do quadrante superior direito) representa apenas um quarto da história. E que as dimensões da Consciência – EU (do quadrante superior esquerdo) com nossas emoções, estados psicológicos, imaginação e intenções; da Cultura – NÓS (do quadrante inferior esquerdo) com nossos valores culturais, religiosos e visão de mundo comuns e dos Sistemas Sociais – ISTOS (quadrante inferior direito) com nossas estruturas materiais, sociais e econômicas surgem simultaneamente à ocorrência desse evento e interagem entre si. E podemos perceber também como esses Quadrantes se desdobram em Níveis de Consciência, Linhas de Desenvolvimento (Inteligências Múltiplas), Estados de Consciência e Tipos.

Quadrantes Ken Wilber

Uma das contribuições da psicologia do desenvolvimento, do estudo do desenvolvimento interior e da evolução da consciência que foi incorporada ao modelo integral é que o crescimento, desenvolvimento e evolução que ocorrem em cada um dos quadrantes se apresentam em alguns tipos de estágios ou níveis, não como os degraus rígidos de uma escada, mas como ondas que fluem e se desdobram naturalmente e abraçam, abarcam, incluem e abrangem os níveis antecedentes. E o aumento dos níveis interiores de consciência vem acompanhado de um aumento de níveis exteriores de complexidade física do sistema que a abriga. E o mecanismo chave desse desenvolvimento é o de “transcender e incluir”. O nível de cima “transcende e inclui” o nível precedente e, como menciona Wilber, traz novas capacidades e ao mesmo tempo a possibilidade de novos desastres; não só novos potenciais, mas também novas patologias; novas forças e novas doenças.

Em nossa trajetória de elevação do nosso Nível de Consciência, podemos fazê-lo também em cada uma das diversas Linhas de Desenvolvimento ou Inteligências Múltiplas de que somos dotados de maneira potencial e que podemos desenvolver e explorar. Diversos pesquisadores respeitados realizaram trabalhos notáveis de estabelecimento das características de cada estágio ou nível que poderia ser alcançado em cada Linha de Desenvolvimento (Sexual; Cognitiva; Espiritual; Emocional; Moral; etc.). O nível de uma determinada linha significa simplesmente a “altura” dessa linha em termos de seu desenvolvimento e consciência.

Em qualquer Nível de Consciência em que estejamos, além dos Estados de Vigília, Sonho ou Sono Profundo, podemos passar por Estados Meditativos, Estados Alterados de Consciência ou Experiências de Pico, incluindo as assim chamadas experiências espirituais, que podem causar um efeito profundo na nossa consciência e desenvolvimento. Esses estados têm a característica de surgir, permanecer por algum tempo e desaparecer em seguida. São transitórios.

Os Tipos são aspectos que podem estar presentes em praticamente todos os níveis e estados como, por exemplo, os tipos clássicos Masculino e Feminino em que os homens e mulheres avançam pelos diferentes níveis usando um tipo diferente de lógica ou, como Carol Gilligan costuma dizer, “numa voz diferente”. A lógica masculina tende a se expressar em termos de autonomia, justiça e direitos; enquanto a feminina em termos de relações, consideração pelos outros e responsabilidade. Os homens tendem para a ação; as mulheres para a comunhão. Os homens seguem as normas; as mulheres as conexões. Os homens olham; as mulheres tocam. Os homens tendem para o individualismo; as mulheres para as relações. Nem o masculino nem o feminino é superior ou melhor que o outro; são dois tipos equivalentes em cada um dos níveis de consciência; são “tipologias horizontais”. Outras tipologias bastante disseminadas são a de Myers-Briggs (Sensível; Pensante; Perceptivo e Intuitivo) e o Eneagrama (com seus nove tipos).

O termo integral, portanto, tem a ver com integrar, reconciliar, juntar as partes, unir, abarcar. Nada a ver com uniformidade ou com a tentativa de eliminar todas as nossas extraordinárias diferenças e sim com a ideia de unidade na diversidade, de compartilhar atributos comuns e respeitar, isso sim, nossas incríveis diferenças. Buscar, não só na humanidade, mas no Kosmos como um todo uma visão mais abrangente que garanta espaço legítimo para a arte, para a moral, para a ciência e para a religião. Definitivamente, não se trata de uma visão final, de uma visão fixa ou mesmo de uma única visão; trata-se somente de uma visão que tenta levar em conta e incluir, de maneira coerente, tantas pesquisas quanto for possível, a partir do maior número possível de disciplinas.

Essa maneira de apreciar a realidade tem sido cada vez mais aplicada em várias áreas do conhecimento por aquelas pessoas que alcançaram um nível de desenvolvimento de consciência no qual essa visão de mundo é mais natural e, certamente, após alguma familiarização com as características conceituais dessa abordagem inovadora. Diversas pessoas contribuíram para a criação inicial, a partir de 1989, de um Instituto Integral (Integral Institute) onde se buscaria integrar os diversos pontos de vista existentes na maioria dos campos de conhecimento existentes. Entre outras, vêm sendo exploradas diversas áreas de investigação tais como as que passaram a ser chamadas de: Coaching Integral, Psicologia Integral, Negócios Integrais, Política Integral, Medicina Integral, Educação Integral, Ecologia Integral e Sustentabilidade, Direito e Justiça Criminal Integrais, Arte integral e Espiritualidade Integral. Meu interesse inicial se concentrou nas áreas de Coaching, Psicologia, Negócios e Espiritualidade Integrais. A abordagem de Coaching Centrado em Valores, que passei a desenvolver a partir de 2006, adota uma visão integral e procura incorporar os conhecimentos e as vivências experimentadas a partir dessas fontes. Outra área importante que começou a ser desenvolvida e disseminada pelo Instituto Integral a partir de 2008, e me interessou imediatamente, é o que se convencionou chamar de Prática de Vida Integral. Busquei incorporar de maneira regular esses conceitos em minha vida pessoal a partir de 2009, ao seguir as sugestões contidas no kit “Integral Life Practice” que inclui informações e sugestões em apostilas impressas, acompanhadas de CDs com arquivos de áudio e de vídeo muito bem elaborados. O livro de Ken Wilber, Terry Patten, Adam Leonard e Marco Morelli, que aborda esses conceitos, lançado nos EUA em 2008 pela Shambhala Publications, foi publicada no Brasil somente a partir de 2011 pela Editora Cultrix com o Título de “A Prática de Vida Integral”.

De maneira bastante resumida, uma prática de vida integral visa facilitar o desenvolvimento individual a partir dos estágios inferiores, também denominados de primeira camada, com suas visões de mundo parciais e fragmentadas, de modo a facilitar o alcance dos assim chamados Estágios Integrais de Desenvolvimento (Níveis Amarelo, Turquesa e Coral de acordo com o Modelo da Espiral Dinâmica). Esses níveis são também conhecidos como “de segunda camada” e contemplam visões de mundo mais abrangentes e genuinamente holísticas. E a diferença entre as visões das duas camadas é profunda, com a realização de um importante salto de significado e a elevação do nível de consciência da pessoa para um novo patamar, a partir do momento em que ela passa a se identificar com um conjunto de crenças e valores integrais. As práticas sugeridas conformam um treino cruzado (cross-training) visando o desenvolvimento humano e o despertar espiritual ao lidar com os módulos básicos do corpo, mente, espírito e da sombra. É o aspecto prático da teoria integral e, segundo seus desenvolvedores, “procura organizar as muitas práticas transmitidas ao longo de séculos – juntamente com as práticas desenvolvidas no que há de mais avançado em psicologia, estudos da consciência e outros campos – usando uma estrutura otimizada para o século XXI. É uma coisa ao mesmo tempo antiga e moderna, oriental e ocidental, especulativa e científica – também uma coisa que vai além dessas dicotomias”. E além dos quatro módulos centrais (corpo/mente/espírito/sombra) outros módulos importantes podem ser incluídos na prática tais como: Ética, Trabalho, Relacionamentos, Criatividade e Alma Integrais.

Na matriz completa que inclui os módulos centrais e os adicionais há diversas práticas que podem ser escolhidas dependendo das preferências e do momento vivenciado por cada praticante. No meu caso, minhas escolhas atuais foram as seguintes:

Corpo: Treino para os três corpos (Grosseiro/Sutil/Causal); Exercícios aeróbicos (Corrida/Caminhada); Dieta Balanceada e Alimentação Consciente; Artes Marciais (Aikido)

Mente: Leitura e Estudos; Discussão e Debate (Grupos de Discussão); Escrita e Manutenção de um Diário (Blogs); Construção de Significado (Autocoaching); Estrutura Integral AQAL.

Espírito: Meditação; As Três faces do Espírito; Kabbalah.

Sombra: Processo 3-2-1; Trabalho com Sonhos; Manutenção de um Diário; Psicoterapia (Cognitivo Comportamental).

Ética: Ética Integral; Trabalho Voluntário; Ética Profissional.

Trabalho: Administração do Tempo; Desenvolvimento Profissional; Comunicação Integral; Sistemas de Produtividade Pessoal; Inteligência Financeira.

Relacionamentos: Compromisso Consciente.

Criatividade: Escrita Criativa (Poesia/Haicais/Artigos).

Alma: Comunhão com a Natureza; Descoberta e Vivência de Propósito (Autocoaching); Afinidade com Arte, Música e Literatura; Viagens em Busca de Visão.

Meu interesse pela Política Integral é mais recente e tem a ver com o meu profundo desencanto ao constatar a maneira como a Política em geral vem sendo praticada no mundo, no nosso continente e, principalmente, no nosso país que vive um processo acelerado de degradação dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, ao longo das ultimas décadas. A leitura diária dos jornais, o ato de assistir a telejornais e a escuta de noticiários que divulgam tópicos de natureza política tem sido motivo de frustração, revolta e profunda tristeza com os rumos que os acontecimentos estão tomando. O resultado do segundo turno das ultimas eleições presidenciais projeta um futuro ainda mais sombrio e nebuloso com compromissos, promessas e intenções declaradas de retrocesso no que ainda nos resta de prática e saúde das instituições democráticas.

Devemos manter sempre em mente que a elevação do nível de consciência das pessoas, segundo as modernas teorias de desenvolvimento da mente e da consciência é função das condições de vida. E vale a pena tecer algumas considerações a respeito do que Clare Graves, pesquisador pioneiro e criador do Modelo Gravesiano que evoluiu para o que chamamos hoje de Dinâmica em Espiral se referia quando falava de condições de vida. Condição de vida é o meio em que vive o ser humano. Seu estudo leva em conta fatores interdependentes tais como: tempo histórico, espaço geográfico, condições sociais e circunstâncias econômicas. Portanto, não existe apenas uma condição de vida, mas inúmeras! E isso também não significa que uma pessoa, ao ativar um novo sistema de crenças e valores, tenha abandonado suas antigas visões de mundo. Ela simplesmente as incluiu e transcendeu. E antigos modos de pensar podem ser reativados em caso de degradação das condições de vida. Um hipotético professor de filosofia residente no Haiti, anteriormente operando no nível de consciência turquesa (um nível de segunda camada), pode estar operando agora a partir de um conjunto de crenças e valores dos níveis de primeira camada roxo e/ou vermelho, quando tem que disputar com outras pessoas uma ração de água e comida para levar para sua família e para o próprio consumo, nos postos de distribuição assistencial organizados pela Força de Paz da Organização das Nações Unidas, no espaço geográfico, social e econômico seu país ainda devastado, depois do terrível terremoto de 2010. E uma melhoria ou uma degradação das condições de vida das pessoas, além de serem influenciadas por eventuais catástrofes naturais ou provocadas pelo homem, são também uma consequência natural de decisões políticas adotadas por cada governante em seus respectivos países. E, infelizmente, o cenário mais provável que vislumbro para o nosso país, no médio e longo prazos, caso não haja uma clara ruptura de tendência, é de franca degradação de condições de vida em geral.

Além disso, uma Prática de Vida Integral, ao pretender facilitar o desenvolvimento das capacidades plenas do ser humano e trazer mais plenitude, procura desenvolver o exercício da liberdade de cada pessoa em relação ao mundo que a cerca. “Liberdade e Plenitude – transcender a vida toda e incluir a vida toda, desdobrando e realizando as nossas maiores capacidades – é disso que trata a Prática de Vida Integral”. E liberdade é um dos valores mais ameaçados na hipótese de materialização desse cenário catastrófico que inclui degradação das condições de vida de parcelas significativas da população brasileira e restrição progressiva, seguida de completa eliminação das atuais liberdades democráticas uma vez que os atuais dirigentes pretendem implantar no Brasil um modelo de ditadura de esquerda de inspiração cubana, conforme orientação do Foro de São Paulo, organização internacional à qual o Partido dos Trabalhadores está filiado.

Prefiro estar morto a ver esse cenário se tornar realidade e, enquanto restar um sopro de vida no meu corpo, usarei de todas as minhas forças e recursos à minha disposição para contribuir para evitar que isso venha a acontecer.

As informações veiculadas e as discussões eventualmente promovidas pelos posts deste blog são minha modesta contribuição para disseminar ideias e informações que poderão se conformar no embrião de uma cultura mais abrangente e holística que possa estimular e promover a prática de uma Política realmente Integral na sociedade brasileira.

Esse é o meu desejo.

Outras ações poderão ser tomadas, no seu momento oportuno, em função da evolução do cenário político brasileiro.

Eduardo Leal

 

Uma resposta para “Minhas razões

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: